Secretaria da Cultura realiza Festival Querência do Bugio e celebra o patrimônio cultural imaterial do RS
Após 13 anos, evento retorna ao calendário de São Francisco de Assis com recursos do Pró-Cultura RS
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O governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura (Sedac), em parceria com a prefeitura de São Francisco de Assis, realiza de 30 de abril a 2 de maio, no Ginásio de Esportes José Falckemback, o Festival Querência do Bugio. O evento é uma ação de salvaguarda do ritmo musical bugio, patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul registrado em 2025 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae). Realizado pela primeira vez em 1993, o encontro volta ao calendário do município após 13 anos, celebrando o bugio não apenas como gênero musical, mas também como expressão da identidade e da cultura gaúchas. A entrada é gratuita.
De acordo com a secretária de Educação e Cultura de São Francisco de Assis, Prescilla Saquett, presidente da comissão executiva do Festival, o evento é um dos mais importantes certames da música regional do Rio Grande do Sul e um dos principais do município, tendo exigido um grande esforço coletivo do poder público e das entidades da comunidade local para voltar a ocorrer. “É um grande compromisso e responsabilidade conduzir este momento histórico de retorno do Festival ao nosso calendário”, destaca, celebrando o aporte de R$ 100 mil do Pró-Cultura RS, por meio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) - EDITAL SEDAC nº 12/2025 FAC RS.
O bugio é um gênero musical executado no acordeão, onde o instrumentista realiza um toque diferente, ou seja, um jogo de foles denominado “sincopado”, que consiste em uma figura rítmica caracterizada pela execução de som em um tempo fraco, ou parte fraca de tempo, que se prolonga até o tempo forte, constituindo um compasso binário simples. Somente o gênero bugio exige esse método de execução musical. O sincopado, portanto, é o que caracteriza o gênero bugio.
Durante os três dias do Festival, serão avaliadas as 18 músicas finalistas, todas inéditas, sendo 12 da Fase Geral (Brasil e Mercosul) e seis da Fase Local (São Francisco de Assis). Das composições da Fase Geral, seis são da Categoria Bugio e seis, da Campeiro Nativista. A Fase Local contempla três músicas de cada categoria. A premiação avalia letra e melodia. Os dois primeiros colocados da Fase Geral, em ambas categorias, receberão troféu e valor em dinheiro. Na Fase Local, somente os primeiros colocados das duas categorias serão premiados com troféu e valor em dinheiro.
O Festival reserva ainda outros reconhecimentos, como troféus para o Melhor Instrumentista, Melhor Intérprete, Grupo Vocal, Melhor Gaiteiro e Artista Revelação. Detalhes sobre a premiação você encontra no regulamento.
Processo seletivo
Ao todo, 374 composições de todo o Rio Grande do Sul participaram das seletivas, que iniciaram em fevereiro e passaram pelo crivo de cinco jurados especialistas em música tradicionalista gaúcha. São eles: o músico Amir Marques; o cantor, compositor e artista missioneiro Eri Cortes; a acordeonista, cantora e compositora missioneira Marines Siqueira; o compositor, arranjador e produtor musical Nelcy Vargas; e o compositor e locutor Thunão Pereira. Todos seguem na comissão julgadora do Festival.
As obras inscritas precisavam retratar as temáticas do Bugio e Campeira Nativista e os concorrentes podiam escolher se participavam da Fase Geral ou Local. A Fase Geral admitia músicos, poetas, arranjadores, intérpretes e compositores de todo o Brasil e de países do Mercosul (Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai). Já a Fase Local exigia que o participante fosse nascido no município ou morador de São Francisco de Assis há pelo menos quatro meses.
Cada concorrente podia inscrever, no máximo, três composições, inéditas e com até cinco minutos de duração. Todos as informações sobre o processo seletivo estão disponíveis no link.
O evento abre oficialmente nesta sexta-feira (30/4), às 20h30, com homenagens aos ex-presidentes do Festival e ao compositor e escritor Salvador Fernando Lampert, autor de dois livros sobre a história do ritmo musical bugio. As obras fizeram parte do dossiê que fundamentou o reconhecimento do gênero musical como patrimônio cultural imaterial do RS. Depois, começam as apresentações dos concorrentes da Fase Local, nas categorias Bugio e Campeiro Nativista - participam desta etapa pessoas nascidas em São Francisco de Assis ou moradores da cidade há mais de quatro meses. A noite encerra com show do Quarteto Fronteira.
No sábado (1º/5), às 20h30, o Festival inicia com show de Marinês Siqueira, seguido pelas apresentações dos concorrentes da Fase Geral, em ambas categorias, que inclui intérpretes e compositores de todo o Estado. No encerramento, baile com Tagarrado.
O último dia de evento, no domingo (2/5), a partir das 20h30, está reservado para a revelação dos vencedores do Festival. Serão premiadas duas composições da Categoria Bugio, Fase Geral, e duas da Categoria Campeira Nativista, Fase Geral. Da Fase Local serão premiados um concorrente de cada categoria. No intervalo entre as premiações, o público poderá acompanhar o show com o grupo musical Projeto Taureando.
Bugio: patrimônio cultural imaterial do RS
A patrimonialização do gênero musical bugio se fundamentou em um amplo trabalho de pesquisa de campo, documental e bibliográfico, que durou cerca de três anos. Os municípios de São Francisco de Assis e São Francisco de Paula foram os responsáveis por iniciar o processo, ao formalizar o pedido ao Iphae. O reconhecimento como bem cultural passou por todas as etapas estabelecidas pela legislação estadual, que começa com a elaboração de um inventário para produzir conhecimento sobre o bem. A partir disso, é elaborado um parecer técnico pelo Instituto, que o submete à avaliação da Câmara Temática do Patrimônio Cultural Imaterial, órgão responsável por avalizar a inclusão do registro, previsto na Portaria 115/2025.
Conforme o diretor do Iphae, Renato Savoldi, o reconhecimento do gênero musical como patrimônio também impulsionou a realização do Festival Querência do Bugio, permitindo a criação de políticas públicas para que o evento acontecesse novamente, depois de um hiato de 13 anos. “Mais do que a promoção do evento, é possível também a valorização dos artistas, propagando o gênero musical para as futuras gerações”, endossa.
O bugio é o quinto bem a passar pelo processo de registro como patrimônio cultural imaterial do Estado, juntando-se aos Modos de Fazer Cuca Artesanal, Queijo Serrano e Artesanato com Palha de Butiá, e ao Sistema Cultural e Socioambiental da Erva-mate.