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Museu Julio de Castilhos recebe a maior doação documental de sua história

Acervo do general Hipólito Ribeiro é composto por aproximadamente três mil documentos e estava aos cuidados de sua tataraneta

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Em um espaço interno com piso de madeira e paredes antigas marcadas pelo desgaste do tempo, uma pessoa utiliza equipamentos de proteção, incluindo máscara, touca, avental e luvas azuis, enquanto organiza documentos acondicionados em embalagens plásticas sobre uma mesa. Ao redor, há caixas de arquivo, materiais de acondicionamento e diversos objetos distribuídos pelo ambiente. A parede ao fundo apresenta áreas extensas de descascamento e manchas, contrastando com a atividade de cuidado e organização dos materiais documentais. A cena evidencia um processo de tratamento e preservação de acervos em meio a um ambiente repleto de itens históricos e materiais de trabalho.
O trabalho da equipe do Museu incluirá higienização e digitalização de todos os documentos - Foto: Divulgação MHJC
Por ASCOM SEDAC

O Museu de História Julio de Castilhos (MHJC), instituição da Secretaria da Cultura (Sedac), recebeu a doação do acervo do general Hipólito Pinto Ribeiro, uma das principais lideranças da Guerra do Paraguai (1864 - 1870). Composto por 18 caixas e aproximadamente três mil documentos, o conjunto representa a maior doação documental da história da instituição. A coleção estava sob os cuidados de Julia Ribeiro, tataraneta do militar, que reside no Rio de Janeiro (RJ). A transferência para Porto Alegre foi feita de carro, com acompanhamento técnico, e chegou na capital gaúcha no dia 27 de setembro.  

Em uma rua arborizada durante o dia, duas pessoas posam ao lado de um veículo utilitário branco com o porta-malas aberto. O compartimento está preenchido por caixas, embalagens, malas e outros volumes organizados para transporte. Ao fundo, aparecem edificações residenciais, grades, calçadas e fiação urbana sob céu azul. A fotografia registra um momento relacionado à movimentação e ao deslocamento de materiais, com destaque para o veículo carregado e para os itens acomodados em seu interior.
Julia Ribeiro (à esquerda), tataraneta do militar que reside no Rio de Janeiro (RJ), e Doris Couto, diretora do MHJC - Foto: Divulgação MHJC
“Receber este acervo é uma enorme responsabilidade. Nossa equipe acompanhou todo o translado para garantir a segurança dessas páginas da nossa história”, ressalta Doris Couto, museóloga e diretora do MHJC. “Agora, com todo o cuidado de conservação preventiva diante da contaminação por traças, umidade e fungos, vamos higienizar, digitalizar e organizar este material para que ele possa cumprir seu papel social e científico”, completa.

O trabalho referido pela museóloga exigirá ao menos quatro meses de dedicação da equipe da instituição. Após sua conclusão, os arquivos serão disponibilizados na plataforma Tainacan, onde o público e pesquisadores poderão ter acesso aos manuscritos de forma virtual. Entre o material já avaliado está a carta do general para sua esposa, Emília, relatando a realidade do combate intenso que estava vivendo. Essa correspondência demonstra a presença de uma figura feminina em conflitos travados na América do Sul, onde historicamente são invisibilizadas as suas participações.  

Acervo que já compõe

A doação que agora irá integrar o acervo do Museu Julio se junta a outro ítem do general Hipólito que já é preservado pela instituição: uma espada sem bainha, com o corpo estampado em metal dourado e ouro, tendo inscrito em sua lâmina feitos e honrarias do militar até o final da Revolução Federalista. No verso, consta a inscrição “Ao Legendário general Hipólito Ribeiro”. A espada foi doada em 1962 pelo coronel Hipólito Ribeiro Júnior, filho do general e bisavô de Julia Ribeiro, a doadora do novo acervo.  

Quem era o general

Fotografia de um documento histórico em papel amarelado, apresentado na posição vertical sobre uma superfície clara. O documento possui o cabeçalho impresso “Estado do Rio Grande do Sul” e “Intendência Municipal de S. João Baptista de Quarahy”, acompanhado do brasão da República no canto superior esquerdo. A data registrada é 6 de maio de 1895. A maior parte da página é ocupada por texto manuscrito em tinta escura, escrito em caligrafia cursiva e distribuído em linhas horizontais. O papel apresenta marcas de dobra ao centro, pequenas manchas e sinais de envelhecimento compatíveis com sua antiguidade. A imagem destaca tanto os elementos impressos quanto a escrita manual, evidenciando o caráter histórico e documental da correspondência.
Carta do general à sua esposa, que ilumina a presença de mulheres cuja participação em conflitos foi historicamente ignorada - Foto: Divulgação MHJC
Hipólito Pinto Ribeiro nasceu em 1824, no município de Canguçu, região Sul do Estado. Filho de uma família com histórico militar, ingressou como combatente na Guerra dos Farrapos (1835 - 1845). Com a conclusão do conflito, alistou-se voluntariamente no Exército Brasileiro, onde iniciou uma longa carreira militar. Participou da guerra contra Oribe e Rosas (1851 - 1852) e, posteriormente, da Guerra do Paraguai, destacando-se em importantes combates e alcançando o posto de Brigadeiro Honorário do Exército.

Já durante a Revolução Federalista (1893 - 1895), organizou em Uruguaiana (RS) uma divisão composta por tropas do Exército, da Guarda Nacional e por civis, recebendo, durante o conflito, as honras de General de Divisão. Faleceu em 1904, na cidade fronteiriça de Uruguaiana. Seu corpo foi sepultado em um mausoléu em São Gabriel (RS), levado por sua esposa, Emília.

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