Museu Julio de Castilhos recebe a maior doação documental de sua história
Acervo do general Hipólito Ribeiro é composto por aproximadamente três mil documentos e estava aos cuidados de sua tataraneta
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O Museu de História Julio de Castilhos (MHJC), instituição da Secretaria da Cultura (Sedac), recebeu a doação do acervo do general Hipólito Pinto Ribeiro, uma das principais lideranças da Guerra do Paraguai (1864 - 1870). Composto por 18 caixas e aproximadamente três mil documentos, o conjunto representa a maior doação documental da história da instituição. A coleção estava sob os cuidados de Julia Ribeiro, tataraneta do militar, que reside no Rio de Janeiro (RJ). A transferência para Porto Alegre foi feita de carro, com acompanhamento técnico, e chegou na capital gaúcha no dia 27 de setembro.
O trabalho referido pela museóloga exigirá ao menos quatro meses de dedicação da equipe da instituição. Após sua conclusão, os arquivos serão disponibilizados na plataforma Tainacan, onde o público e pesquisadores poderão ter acesso aos manuscritos de forma virtual. Entre o material já avaliado está a carta do general para sua esposa, Emília, relatando a realidade do combate intenso que estava vivendo. Essa correspondência demonstra a presença de uma figura feminina em conflitos travados na América do Sul, onde historicamente são invisibilizadas as suas participações.
Acervo que já compõe
A doação que agora irá integrar o acervo do Museu Julio se junta a outro ítem do general Hipólito que já é preservado pela instituição: uma espada sem bainha, com o corpo estampado em metal dourado e ouro, tendo inscrito em sua lâmina feitos e honrarias do militar até o final da Revolução Federalista. No verso, consta a inscrição “Ao Legendário general Hipólito Ribeiro”. A espada foi doada em 1962 pelo coronel Hipólito Ribeiro Júnior, filho do general e bisavô de Julia Ribeiro, a doadora do novo acervo.
Quem era o general
Já durante a Revolução Federalista (1893 - 1895), organizou em Uruguaiana (RS) uma divisão composta por tropas do Exército, da Guarda Nacional e por civis, recebendo, durante o conflito, as honras de General de Divisão. Faleceu em 1904, na cidade fronteiriça de Uruguaiana. Seu corpo foi sepultado em um mausoléu em São Gabriel (RS), levado por sua esposa, Emília.