Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Secretaria da

Cultura

Início do conteúdo

Estratégias de prevenção, enfrentamento e redução de danos meteorológicos marcam novo momento do MARGS

Série “2 anos pós-enchente: a reconstrução da cultura” apresenta a transformação das instituições da Sedac desde 2024

Publicação:

A imagem mostra o interior de um espaço expositivo de museu, com forte presença de arquitetura histórica e elementos informativos contemporâneos. O ambiente parece ser uma área de circulação ou entrada de uma exposição dentro de um museu. A cena mistura características arquitetônicas clássicas com recursos modernos de exposição e comunicação visual. No centro da imagem há uma porta dupla de madeira, com acabamento escuro. A parte superior das portas possui vitrais coloridos, com padrões geométricos em tons de amarelo, verde e azul. As portas estão abertas, revelando um corredor ao fundo. Há um painel expositivo grande com o título: “O prédio do MARGS”. Abaixo do título, há vários parágrafos de texto explicativo organizados em colunas. Também há pequenas imagens ilustrativas na parte inferior do painel. À frente do painel, há uma mesa com uma maquete branca, provavelmente representando o edifício. No espaço além da porta, há uma parede amarela com a inscrição: “PERCURSOS DO ACERVO” (parcialmente visível), indicando uma área de exposição do acervo do museu.
-
Por DENISE MILBRADT E SARA GOLDSCHMIDT/ASCOM SEDAC

Um dos equipamentos culturais da Secretaria de Cultura (Sedac) mais afetados durante a enchente de 2024, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) ficou sete meses fechado, reabrindo ao público em dezembro daquele ano. Desde a tragédia climática, os esforços das equipes da instituição têm se voltado para a recuperação estrutural do prédio e das obras, juntamente a estratégias de prevenção, enfrentamento e mitigação de danos em eventos meteorológicos futuros.

As ações realizadas no MARGS são detalhadas nesta segunda matéria da série “2 anos pós-enchente: a reconstrução da cultura”, que mapeia a transformação das instituições da Sedac desde 2024. O investimento total no equipamento cultural supera R$ 13 milhões.

Durante o período de cheia, a água chegou a dois metros de altura no prédio centenário do Centro Histórico de Porto Alegre, impactando cerca de 4 mil obras que se encontravam no Museu. A maioria sofreu algum tipo de dano por conta da exposição prolongada à umidade durante as mais de três semanas em que a Praça da Alfândega esteve inundada. O restauro do acervo da instituição segue ocorrendo e, entre as iniciativas para salvaguardar as coleções em situações de novas intempéries, a antiga reserva técnica, que antes ocupava o térreo, foi desativada e substituída por uma nova, em um andar elevado, o terceiro pavimento, contando com um grande atrativo: “O espaço passou a ser visível para o público, como parte do circuito de visitação do Museu”, conta o diretor-curador do MARGS, Francisco Dalcol.

A primeira etapa das obras estruturais também contemplou a segurança do Museu (alarme contra incêndio e sistema de câmeras). O Plano de Prevenção contra Incêndio (PPCI) e a subestação de energia elétrica passaram por melhorias, além da reforma do sistema de climatização, necessário para o controle de temperatura e umidade para a conservação das obras de arte, e sua adaptação para a nova reserva técnica. Essas ações emergenciais foram concluídas em 2025 e contaram com investimento de R$ 5,6 milhões do Banrisul, recurso utilizado ainda na restauração das obras de arte mais afetadas  pelo alagamento.

“Desde a enchente, o Museu não vem apenas restabelecendo sua estrutura operacional e restaurando seu acervo afetado, mas sendo qualificado e preparado para o enfrentamento e a mitigação de consequências de eventos climáticos extremos no futuro”, detalha Dalcol.

A criação de novas estruturas de armazenamento e conservação, associada à sistematização dos aprendizados acumulados durante a crise, ampliou a capacidade de resposta da instituição diante de possíveis eventos climáticos extremos. “A experiência da enchente evidenciou a necessidade de incorporar, de forma permanente, estratégias de prevenção, preparação e gestão de riscos às rotinas museológicas, fortalecendo a proteção do patrimônio cultural diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela crescente recorrência de eventos ambientais severos”, ressalta a curadora-assistente do MARGS, Cristina Barros.

Segunda fase

A segunda fase das obras focou no térreo do prédio, quando foram removidos os elementos mais danificados, como divisórias, pisos, portas, tomadas e o restauro de rebocos das alvenarias internas e externas. Houve reparos no contrapiso, tratamento das esquadrias e telas metálicas, pintura, substituição dos vidros quebrados e a revisão da rede hidrossanitária. Com investimento de R$ 1,6 milhão, oriundo do governo federal, via Secretaria-Executiva do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), os trabalhos foram finalizados no mês de março deste ano. 

Ações em andamento

O grande volume de chuvas da enchente de 2024 comprometeu estruturas como a claraboia e as quatro torres do terraço do prédio do MARGS. O excesso de água nestes locais gerou focos de infiltração descendente, que incidiram no interior do prédio e danificaram substancialmente o madeiramento da cobertura do torreão e das alvenarias contíguas à claraboia. Além disso, a exposição das aberturas históricas às intempéries climáticas por tempo prolongado acentuou o estado de deterioração de seus elementos constituintes. 

Para recuperar esses elementos e espaços, a instituição conta com investimento de R$ 5,2 milhões do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) e R$ 527 mil dos cofres da Sedac. O recurso também será utilizado para reparos na rede elétrica do prédio e para a finalização das obras do pavimento térreo. As obras devem ser finalizadas até dezembro deste ano.

Com relação à recuperação do acervo afetado, o MARGS conta desde 2024 com uma equipe especialmente montada atuando no Museu, viabilizada pelo investimento do Banrisul. Também estão sendo restauradas obras em uma parceria entre a Associação de Amigos do Museu (AAMARGS) e o Curso de Conservação e Restauro de Bens Culturais Móveis da UFPel.

Além disso, com recursos do Funrigs no valor de R$ 690 mil, estão sendo restauradas obras com empresas contratadas. Na atual fase, são mais de 500 gravuras em papel do acervo artístico do Museu, que incluem xilogravuras, litogravuras, gravuras em metal, lineogravuras, xerografias e serigrafias dos artistas Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves, Francisco Stockinger, Glauco Rodrigues, Glênio Bianchetti, Iberê Camargo, Maria Tomaselli, Paulo Chimendes, Romanita Disconzi e Vasco Prado. 

Os trabalhos de restauração de obras do acervo do MARGS afetadas pela enchente devem seguir nos próximos dois anos. 

União de esforços

A recuperação do MARGS após a enchente foi marcada pela mobilização de uma ampla rede de colaboradores, que reuniu instituições de ensino, profissionais especializados, estudantes, voluntários e equipes de museus de diferentes regiões do Estado. Entre os parceiros fundamentais nesse processo estiveram docentes e discentes do curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), cuja participação técnica contribuiu significativamente para as etapas de avaliação, higienização e tratamento das obras afetadas. 

Também foi acionada a colaboração de grupos de pesquisa e extensão do curso de Museologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), cujos integrantes somaram esforços às ações de salvaguarda do patrimônio. 

Além do meio acadêmico, diversas instituições culturais ofereceram apoio decisivo, como as equipes do Museu de História Julio de Castilhos, do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC RS) e do Museu do Trabalho, que disponibilizou equipamentos essenciais para as operações de resgate e estabilização do acervo. Essa articulação demonstrou a importância de redes de cooperação em torno da preservação do patrimônio cultural, capazes de atuar de forma rápida, solidária e tecnicamente qualificada diante de situações de emergência.

Secretaria da Cultura