Luciara Batista e Guaíra Soares cantam sambas gaúchos em show inédito em Porto Alegre
Cantoras dividem o palco do Teatro Oficina Olga Reverbel na sexta (25), às 19h
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Duas vozes do samba produzido no Rio Grande do Sul, as cantoras e compositoras Luciara Batista e Guaíra Soares estarão juntas no palco do Teatro Oficina Olga Reverbel na sexta-feira (25/9), às 19h, com o show inédito “Raízes”. A apresentação faz parte da programação do “Horacina Corrêa convida – Uma voz abre caminho para outras vozes”, projeto que reúne diferentes gerações de artistas negras do Estado para celebrar a representatividade, o fortalecimento da cena cultural gaúcha e a troca de experiências entre gerações.
No palco, Luciara resgata a memória das rodas de samba e sua trajetória na comunidade de Niterói. Ao seu lado, Guaíra, idealizadora da Associação de Sambistas Compositores Gaúchos, apresenta repertório autoral, abordando temas como cotidiano, afeto e resistência, com interpretações que exaltam o protagonismo feminino em um espaço historicamente marcado pela presença masculina. Os ingressos custam entre R$ 20 e R$ 40, à venda no site www.theatrosaopedro.rs.gov.br e na bilheteria do Multipalco Eva Sopher.
O projeto
Idealizado pelo diretor de Cultura Afro-Brasileira, Inclusão e Territorialidades da Fundação Theatro São Pedro, Álvaro RosaCosta, o projeto foi inspirado na trajetória pioneira da artista porto-alegrense Horacina Corrêa, nome que brilhou na “Era do Rádio”, mas que acabou sendo quase esquecido na atualidade. A cada edição, uma artista com trajetória já consolidada convida outra musicista para participar de um show exclusivo. Os próximos dois encontros já estão confirmados: em 2 de outubro, Cristal convida Pâmela Amaro; e no dia 30 de outubro, Loma Solaris dará espaço à cantora Stephanie Soeiro e à violonista Vitória Pereira.
Quem foi Horacina Corrêa
Horacina Corrêa ocupa um lugar importante na história da música popular brasileira e da cultura gaúcha. Nascida em Porto Alegre, em 11 de outubro de 1913, na então Colônia Africana (atual região do bairro Bom Fim), iniciou sua trajetória artística muito jovem e tornou-se uma das primeiras grandes estrelas da música popular do Rio Grande do Sul (RS).
Dona de voz aguda, afinada e dicção impecável, destacou-se desde o início dos anos 1930 como solista do tradicional Bloco dos Turunas. Sua presença nos palcos e nas festas populares lhe rendeu o título de Rainha da Folia de 1931. Conhecida como "Patativa do Sul" e "Voz Morena da Cidade", foi uma das protagonistas da expansão do rádio no Rio Grande do Sul. Em um período em que os elencos artísticos eram predominantemente masculinos e brancos, destacou-se como uma das poucas artistas negras a conquistar espaço nas rádios Difusora, Gaúcha e Farroupilha.
Em 1938, protagonizou um marco histórico ao gravar, em Buenos Aires, o samba gaúcho “Alto da Bronze”, de Paulo Coelho e Plauto de Azambuja Soares (Foquinha), tornando-se a primeira cantora do RS a realizar uma gravação fonográfica nos padrões industriais da época. Ao longo das décadas de 1940 e 1950, viajou para vários países, gravando discos no Brasil, Argentina, Itália e Suécia. Sua discografia reúne sambas, marchinhas, valsas, tangos e canções populares brasileiras, registradas por diversas gravadoras.
Enfrentou perdas, recomeços e desafios que poderiam ter encerrado qualquer carreira, mas Horacina seguiu cantando. Depois de uma gravação realizada na Escandinávia, em 1962, os registros sobre sua vida praticamente desapareceram. Seu paradeiro e a data de sua morte permanecem desconhecidos, transformando uma das artistas mais importantes de sua geração em um dos grandes mistérios da música brasileira.
Atualmente, pesquisadores como Marcello Campos e Irene Santos vêm resgatando sua memória, reafirmando seu papel fundamental na consolidação da música gaúcha e na projeção da cultura brasileira no exterior.
Serviço
Horacina Corrêa convida – Uma voz abre caminho para outras vozes
Luciara Batista convida Guaíra Soares
Quando: 25/9, às 19h
Onde: Teatro Oficina Olga Reverbel, no Multipalco Eva Sopher (Rua Riachuelo, 1089 - Centro Histórico de Porto Alegre)
Ingressos - R$ 20 (meia-entrada) e R$ 40 (inteira)
Pontos de venda - On-line
Bilheteria do Multipalco Eva Sopher: Terça a domingo, das 16h às 18h (nos dias de espetáculo, o funcionamento é estendido até às 20h)
Acessibilidade: Para pessoas neurodivergentes, a Fundação Theatro São Pedro disponibiliza kits de acolhimento sensorial, que podem ser solicitados na bilheteria do Multipalco Eva Sopher.
Próximas edições
Sempre às sextas-feiras, às 19h, no Teatro Oficina Olga Reverbel
Dia 2 de outubro: Cristal convida Pâmela Amaro
Dia 30 de outubro: Loma Solaris convida Stephanie Soeiro e a violonista Vitória Pereira