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Parceria entre Sedac e Fase promove oficinas de escrita criativa para socioeducandos

Desenvolvida entre fevereiro e abril, proposta amplia repertórios culturais e valoriza a palavra como ferramenta de expressão

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Três jovens estão reunidos em uma sala iluminada, com cadeiras brancas de plástico e paredes claras. Dois deles estão sentados lado a lado, atentos ao que ocorre à frente, enquanto outra pessoa, de pé, escreve ou organiza algo em um mural na parede. À frente do grupo há novamente o painel colorido da oficina “Escrevivências”.
Projeto contemplará todas as unidades de internação da Fase no Estado - Foto: Saul Teixeira/Ascom Fase
Por ASCOM FASE / EDIÇÃO ASCOM SEDAC

O projeto “Escrevivências” leva oficinas de escrita criativa para os adolescentes atendidos nas unidades de internação da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase), instituição vinculada à Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS). A iniciativa é promovida pela Secretaria da Cultura (Sedac), por meio do Instituto Estadual do Livro (IEL), com metodologia e acompanhamento técnico desenvolvidos pelo Centro de Integração de Redes Sociais e Culturas Locais (Cirandar).

Desenvolvida entre os meses de fevereiro e abril deste ano, a proposta contempla 110 socioeducandos e tem como objetivo fortalecer vínculos, ampliar repertórios culturais e valorizar a palavra como ferramenta de expressão e direito. A supervisão do projeto é da Diretoria Socioeducativa (DSE), por meio da Coordenação Pedagógica (CP), e do Núcleo de Esporte, Lazer, Cultura e Espiritualidade (Nelce) da Fase.

Um jovem vestido de camiseta preta e boné escuro participa de uma atividade de escrita, sentado em uma cadeira branca e segurando uma folha de papel enquanto gesticula com a outra mão. Ao lado dele, há um painel vertical colorido com respingos de tinta que destaca o título “Escrevivências – Oficina de Escrita Criativa para Jovens”.
A oficina ministrada pelo MC, poeta e escritor Felipe Deds esteve na unidade de semiliberdade masculina em POA no dia 10/2 - Foto: Saul Teixeira/Ascom Fase

“Com o Escrevivências, oferecemos um instrumento de transformação social, estimulando autoria e leitura por meio da qualificação de agentes socioeducativos”, destaca o diretor em exercício do IEL, Ricardo Rabeno. “Além de ampliar o contato dos jovens com a literatura, a iniciativa oportuniza encontros com autores, uma troca que fortalece o interesse pela cultura e abre espaço para novas formas de expressão”, ressalta.

Conduzidas pelo MC, poeta e escritor Felipe Deds, as atividades são desenvolvidas por meio de oficinas criativas, envolvendo leitura, escrita autoral e intervenções poéticas e dinâmicas inspiradas em linguagens musicais. São utilizados banners, cartazes, folhas e canetas, que auxiliam na construção coletiva dos conteúdos e na realização das práticas propostas.

“A linguagem do escritor, o jeito que ele falou com a gente, foi muito legal. Eu escrevi um poema sobre amor, contando sobre um relacionamento que eu tive e que sinto muita saudade”, relata um socioeducando de 18 anos do Centro de Atendimento Socioeducativo Regional de Novo Hamburgo (Case NH). Estudante do 1º ano do Ensino Médio, ele conta que também escreveu outros textos inspirados em temáticas como a liberdade. “Sinto muita saudade de casa, da minha família. Gosto de escrever sobre isso também no meu diário”, relata o jovem, que cumpre medida há 16 meses.

No mês de março, está prevista uma formação coletiva destinada aos agentes socioeducadores que atuam junto aos espaços de leitura anexos às unidades da Fase. A proposta é contribuir para a formação dos profissionais, oferecendo orientações sobre os espaços, a mediação de leitores e a conexão com a prática das oficinas de escrita criativa.

“Acreditamos na leitura e na escrita como um direito humano e percebemos que, a cada oficina realizada, a escrita tem um poder transformador”, avalia a coordenadora institucional do Cirandar, Márcia Cavalcante. “Os socioeducandos e as socioeducandas demonstram muito engajamento nos encontros, e suas produções escritas são fonte de inspiração para acreditarmos que um novo começo sempre é possível”, acrescenta.

Duas pessoas trocam uma folha de papel em um ambiente interno simples, com um sofá estampado ao fundo. As mãos de quem entrega trazem um relógio metálico brilhante, enquanto a outra pessoa estende os braços para receber o documento. Um controle remoto repousa sobre o sofá.
Projeto envolve leitura, escrita autoral, intervenções poéticas e dinâmicas inspiradas em linguagens musicais - Foto: Saul Teixeira/Ascom Fase

“Escrevivências” pelo Estado

O cronograma de atividades do projeto contempla as unidades de internação das oito regionais da Fase no Estado. Até o momento, as ações já ocorreram no Centro de Internação Provisória Carlos Santos (CIPCS), na Comunidade Socioeducativa (CSE), na unidade de Semiliberdade Masculina e no Centro de Atendimento Socioeducativo Feminino (Casef), todos em Porto Alegre, além do Case NH.

“O Escrevivências busca democratizar o acesso à arte e à literatura, fortalecendo a autoestima e a voz dos jovens em medida socioeducativa, transformando suas vivências em narrativas próprias e reconhecidas”, reflete o chefe do Nelce, Pedro Falkenbach Júnior.

Até o mês de abril, a iniciativa será realizada junto aos adolescentes e jovens do Centro de Convivência e Profissionalização (Ceconp) e do Centro de Atendimento Socioeducativo Padre Cacique (Case PC), em Porto Alegre. O projeto ainda contemplará unidades de Caxias do Sul, Pelotas, Passo Fundo, Santa Maria, Santo Ângelo e Uruguaiana.

 

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