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Exposição de Mitti Mendonça fica em cartaz até domingo (4) no Multipalco Eva Sopher

Mostra reúne 18 obras que combinam crochê, tapeçaria, assemblagem, pintura e bordado

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A imagem mostra o interior de uma galeria ou espaço de exposição de arte. À esquerda, há uma pessoa de perfil observando uma obra exposta na parede. A pessoa veste uma peça de roupa escura de mangas compridas com desenhos lineares claros estampados e usa um brinco geométrico. Os cabelos estão presos em longas mechas. À direita, encontra-se uma obra de arte vertical composta por diferentes elementos e texturas. Na parte superior da obra há a representação de uma máquina de costura antiga. Abaixo dela, aparece o retrato de uma pessoa usando um tecido ou turbante branco na cabeça e uma vestimenta clara. O fundo do retrato é predominantemente verde, com detalhes que parecem ter sido feitos com materiais brilhantes ou tridimensionais, criando relevo e textura. A moldura ou divisão entre as partes da obra apresenta uma faixa horizontal em tom alaranjado, também com aparência texturizada. O conjunto parece ser uma técnica mista, combinando pintura com materiais aplicados sobre a superfície.
Entre as obras estão releituras de fotografias de arquivo e autorretratos que atravessam ancestralidade e lembranças afetivas - Foto: Carlos Ricky/Divulgação TSP
Por ASCOM TSP / EDIÇÃO ASCOM SEDAC

Está em cartaz até domingo (4/10), na galeria do Multipalco Eva Sopher, a exposição “Deixe a magia de suas ancestrais escorrer pela potência de suas mãos”, de Mitti Mendonça. A visitação pode ser feita diariamente, das 10h às 20h, com entrada gratuita.

A mostra reúne 18 obras da artista têxtil, ilustradora, designer e produtora cultural, criadas a partir de técnicas de bordado, crochê, tapeçaria, assemblagem e pintura. Os trabalhos investigam memória e identidade sob a perspectiva do tempo espiralar, conceito formulado pela poeta e ensaísta Leda Maria Martins. 

Entre as obras estão releituras de fotografias de arquivo e autorretratos que atravessam ancestralidade, lembranças afetivas e historiografias afro-diaspóricas. A exposição inclui ainda dois livros da artista, concebidos como diários de processo, revelando os caminhos de criação de Mitti.

Percurso expositivo é dividido em três núcleos

A mostra parte da concepção de que passado, presente e futuro não se organizam de forma linear, mas coexistem em um movimento contínuo de permanência, transformação e retorno. A expografia organiza-se em três núcleos, que conduzem o público por diferentes dimensões da memória, da ancestralidade e da construção da identidade.

A imagem apresenta uma vista ampla de uma galeria de arte ou espaço expositivo, fotografada com lente grande angular, o que cria uma leve curvatura visual nas linhas da arquitetura. O espaço possui uma parede longa e clara onde diversas obras de arte estão expostas em sequência. O teto é revestido com painéis de madeira em tom escuro, formando uma superfície curva que acompanha toda a extensão da sala. Trilhos de iluminação direcionam focos de luz para as obras, destacando cada peça individualmente. À esquerda, há um painel vermelho com texto, embora o conteúdo não seja legível na imagem. Próximo ao painel, aparecem pequenas pinturas ou ilustrações dispostas em uma sequência. Mais ao centro, destaca-se uma obra colorida com predominância de verde e tons terrosos. Ao lado, há um retrato em fundo azul-turquesa representando uma figura humana. No centro da parede encontra-se uma obra menor emoldurada, acompanhada de um texto curatorial ou legenda na parede. À direita, observa-se uma pintura em tons de cinza retratando várias figuras humanas agrupadas.
Mostra parte da concepção de que passado, presente e futuro não se organizam de forma linear - Foto: Carlos Ricky/Divulgação TSP

Intitulado “Ancestrais: elas que iluminam o caminho”, o primeiro núcleo reúne releituras e intervenções sobre fotografias de mulheres negras provenientes de arquivos públicos, evocando a ancestralidade como força que orienta, sustenta e projeta futuros. As obras refletem sobre as relações entre memória, imagem e apagamento histórico, afirmando os saberes transmitidos pelas mãos como formas de resistência diante do racismo estrutural.

No segundo, chamado "Espelhar as memórias”, autorretratos dialogam com lembranças da infância e com experiências relacionadas à construção da autoestima e da identidade. As obras também estabelecem um diálogo com o arquivo familiar da artista, especialmente com um retrato inspirado na avó materna, que iniciou uma tradição de bordado há mais de um século na família. A técnica do ponto-cruz é incorporada como linguagem visual e poética por meio de frases bordadas e releituras de fotografias. 

Já o terceiro núcleo, “Texturas que moram em mim”, investiga a família como espaço de afeto, acolhimento e sustentação. Linhas, pedrarias, volumes e diferentes texturas constroem paisagens afetivas que transitam entre a figuração e a abstração, materializando lembranças, vínculos e heranças invisíveis.

Sobre a artista

Em sua pesquisa, Mitti Mendonça (1990, São Leopoldo/RS) traz à tona narrativas contra-hegemônicas, investigando álbuns de fotografias de famílias e da população negra nos séculos XIX e XX, como fonte de preservação de memórias afetivas, ancestralidade, identidade e pertencimento. Suas obras desdobram-se em fusões de materialidades, com resíduos têxteis, pedrarias, também incorporando formas abstratas e figurativas. Para a criação, utiliza técnicas de bordado, tapeçaria, crochê, colagem, pintura e desenho. 

Participa do circuito latino-americano de feiras gráficas, com publicações independentes, e de exposições em instituições do Brasil e do exterior, como Galeria Ecarta (RS), Instituto Moreira Salles, Casa Brasil de Lisboa (Portugal), Pinacoteca Ruben Berta (Porto Alegre), Goethe-Institut Porto Alegre, Sesc Belenzinho (SP), Sesc Quintandinha (RJ), Museu de Arte do Rio Grande do Sul e Kunstmuseum Wolfsburg (Alemanha). 

A imagem apresenta um retrato em plano médio da artista Mitti Mendonça. Ela está posicionada em frente a uma superfície de madeira composta por tábuas verticais em tons castanhos. A pessoa está voltada para a câmera e ocupa a região central da fotografia. Veste uma blusa sem mangas em tom verde-acinzentado, com textura de leves listras verticais.O cabelo é formado por longas mechas trançadas ou entrelaçadas, predominantemente escuras, com uma transição marcante para tons de azul intenso e azul-claro nas extremidades. As mechas caem sobre um dos lados do corpo, criando um contraste visual com o fundo de madeira. O fundo é composto por painéis de madeira com veios e texturas visíveis.
Mitti Mendonça traz à tona narrativas contra-hegemônicas, investigando álbuns de fotografias de famílias e da população negra - Foto: Antonio Mainieri/Divulgação TSP

Como ilustradora, vem colaborando criativamente com marcas e projetos culturais, como Hershey’s, Boticário, Natura, Casa de Cinema de Porto Alegre, Telecine, Editora Intrínseca, Festipoa Literária, Porto Alegre em Cena, Projeto Gompa, Vivara e Youcom. Tem obras nos acervos da Fundação Vera Chaves Barcellos, Coleção Calmon-Stock (RJ), Instituto Lojas Renner e MARGS. É co-idealizadora da feira gráfica e da Residência Artística GARGANTA, com edições viabilizadas pelos editais Kultur 23, Goethe-Institut Porto Alegre e Lei Paulo Gustavo.

Serviço

Exposição Deixe a magia de suas ancestrais escorrer pela potência de suas mãos
Quando:
Visitação até 4 de outubro, das 10h às 20h
Onde: Galeria Multipalco Eva Sopher (Rua Riachuelo, 1089 - Centro Histórico de Porto Alegre)
Entrada gratuita

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