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Cristal convida Pâmela Amaro para show que combina rap, soul, samba e poesia

Cantoras dividem o palco do Teatro Oficina Olga Reverbel com repertórios que ficaram famosos na voz de Horacina Corrêa

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Imagem mostra duas mulheres negras sorrindo e posando juntas diante de um painel azul-escuro. A mulher à esquerda é a cantora Cristal. Ela usa blusa branca, acessórios nos braços e um lenço estampado no pescoço; a mulher à direita é a cantora Pâmela Amaro. Ela veste uma blusa estampada e tem cabelos longos e cacheados. As duas fazem gestos com as mãos. Ao fundo, há a ilustração de um microfone e o texto “Horacina Corrêa convida”, acompanhado da frase “Uma voz abre caminho para outras vozes”.
Cristal e Pâmela Amaro integram o projeto que reúne diferentes gerações de artistas negras do Estado - Foto: Lars Erick/Divulgação TSP
Por ASCOM TSP / EDIÇÃO ASCOM SEDAC

A cantora e compositora Cristal convida Pâmela Amaro para um show inédito no Teatro Oficina Olga Reverbel nesta sexta-feira (2/10), às 19h. A apresentação faz parte da programação do “Horacina Corrêa convida – Uma voz abre caminho para outras vozes”, projeto que reúne diferentes gerações de artistas negras do Estado para celebrar a representatividade e o fortalecimento da cena cultural gaúcha.

No palco, Cristal interpreta canções do seu álbum “Epifania” (2024). O espetáculo conta com direção musical de Jorge Xavier, músico, compositor, arranjador e produtor musical, referência no cenário musical gaúcho do samba, swing e sonoridades brasileiras.

Pâmela participa do show com o repertório de seu mais recente álbum, “Samba às avessas”, com composições próprias que contam histórias de africanidade e herança do samba, com referências de sons de partido alto, jongo, samba de breque e batuques. O espetáculo também presta homenagem à Horacina Corrêa, uma das importantes vozes da “Era do Rádio” no Rio Grande do Sul, cuja trajetória vem sendo resgatada por pesquisadores nos últimos anos.

Idealizado por Álvaro RosaCosta, diretor de Cultura Afro-Brasileira, Inclusão e Territorialidades da Fundação Theatro São Pedro, o projeto Horacina Corrêa recebe, a cada edição, uma artista com trajetória já consolidada que convida outra musicista para participar de um show exclusivo. O próximo encontro ocorre no dia 30 de outubro, com Loma Solaris convidando a cantora Stephanie Soeiro e a violonista Vitória Pereira para uma apresentação especial.

Quem foi Horacina Corrêa

Horacina Corrêa ocupa um lugar importante na história da música popular brasileira e da cultura gaúcha. Nascida em Porto Alegre, em 11 de outubro de 1913, na então Colônia Africana (atual região do bairro Bom Fim), iniciou sua trajetória artística muito jovem e tornou-se uma das primeiras grandes estrelas da música popular do Rio Grande do Sul.

Imagem mostra a cantora Horacibna Correa, uma mulher negra sorrindo, em primeiro plano, diante de um fundo neutro. Ela usa um grande laço de tecido marrom-rosado na cabeça, brincos compridos, colar com pingente e uma blusa de cetim no mesmo tom, com decote e detalhes de renda. O cabelo está preso sob o laço, e ela olha diretamente para a câmera.
Horacina Corrêa iniciou sua trajetória artística muito jovem e tornou-se uma das primeiras estrelas da música popular no RS - Foto: Acervo Marcello Campos/Divulgação TSP

Dona de voz aguda, afinada e dicção impecável, destacou-se desde o início dos anos 1930 como solista do tradicional Bloco dos Turunas. Sua presença nos palcos e nas festas populares lhe rendeu o título de Rainha da Folia de 1931. Conhecida como "Patativa do Sul" e "Voz Morena da Cidade", foi uma das protagonistas da expansão do rádio no Rio Grande do Sul. Em um período em que os elencos artísticos eram predominantemente masculinos e brancos, destacou-se como uma das poucas artistas negras a conquistar espaço nas rádios Difusora, Gaúcha e Farroupilha.

Em 1938, protagonizou um marco histórico ao gravar, em Buenos Aires, o samba gaúcho “Alto da Bronze”, de Paulo Coelho e Plauto de Azambuja Soares (Foquinha), tornando-se a primeira cantora gaúcha a realizar uma gravação fonográfica nos padrões industriais da época. Ao longo das décadas de 1940 e 1950, realizou excursões pela Argentina e outros países, gravando discos no Brasil, Argentina, Itália e Suécia. Sua discografia reúne sambas, marchinhas, valsas, tangos e canções populares brasileiras, registradas por diversas gravadoras.

Enfrentou perdas, recomeços e desafios que poderiam ter encerrado qualquer carreira, mas Horacina seguiu cantando. Depois de uma gravação realizada na Escandinávia, em 1962, os registros sobre sua vida praticamente desapareceram. Seu paradeiro e a data de sua morte permanecem desconhecidos, transformando uma das artistas mais importantes de sua geração em um dos grandes mistérios da música brasileira. 

Atualmente, pesquisadores como Marcello Campos e Irene Santos vêm resgatando sua memória, reafirmando seu papel fundamental na consolidação da música gaúcha e na projeção da cultura brasileira no exterior.

Serviço

Horacina Corrêa convida – Uma voz abre caminho para outras vozes
Cristal convida Pâmela Amaro
Quando:
Sexta-feira (2/10), às 19h
Onde: Teatro Oficina Olga Reverbel, no Multipalco Eva Sopher (Rua Riachuelo, 1089 - Centro Histórico de Porto Alegre)
Ingressos - R$ 20 (meia-entrada) e R$ 40 (inteira)

Pontos de venda - On-line
Bilheteria do Multipalco Eva Sopher: Terça a domingo, das 16h às 18h (nos dias de espetáculo, o funcionamento é estendido até às 20h)

Acessibilidade: Para pessoas neurodivergentes, a Fundação Theatro São Pedro disponibiliza kits de acolhimento sensorial, que podem ser solicitados na bilheteria do Multipalco Eva Sopher

Próxima edição
Dia 30 de outubro, às 19h, no Teatro Oficina Olga Reverbel: “Loma Solaris convida Stephanie Soeiro e a violonista Vitória Pereira”

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