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Documentário sobre memória afro em Sapucaia do Sul estreia na Casa de Cultura Mario Quintana

Curta-metragem “A Casa Azul” será exibido no dia 9 de agosto e contará com entrada gratuita

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Duas mãos negras seguram uma fotografia colorida de duas crianças sorrindo e abraçadas. Ao fundo, dentro da caixa onde está a foto, há discos de vinil — um deles com o nome “Roberto Ribeiro” visível — além de outros objetos pessoais.
Exibição será seguida por uma roda de conversa entre o público, o diretor, e Lorenzo Sciacca, autor da Trilha Sonora do curta - Foto: "A Casa Azul"/Divulgação IEM
Por Ascom IEM/Edição: Ascom Sedac

A Secretaria da Cultura (Sedac), por meio do Instituto Estadual de Música (IEM), promove no dia 9 de agosto, às 19h30, o lançamento do documentário “A Casa Azul”, projeto de estreia do estudante de Produção Audiovisual João Chagas. O curta-metragem destaca a presença negra em Sapucaia da Sul, município da Região Metropolitana de Porto Alegre que é tradicionalmente associado à colonização europeia, e propõe uma inversão simbólica e histórica, construindo identidade, pertencimento e ancestralidade por meio da história da família do diretor. 

A exibição do documentário acontece no Auditório Luis Cosme, no quarto andar da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), e será seguida de uma roda de conversa entre o público, João Chagas e Lorenzo Sciacca, que trabalhou no desenvolvimento da Trilha Sonora e do Design de Som do curta. A entrada é gratuita.

Sapucaia do Sul é historicamente conhecida como um grande polo da imigração alemã e referida como o “berço da colonização alemã”. No entanto, uma casa azul no bairro de Nova Sapucaia, onde mora o diretor, propõe uma inversão histórica desse reconhecimento ao apresentar uma família afrodescendente que constrói sua existência e memória neste território.

Ao longo do curta-metragem, João ressignifica tanto sua casa quanto sua própria região: diversos cômodos da residência assumem novos significados através de vivências familiares e múltiplas presenças que habitaram o local. Em uma das passagens do filme, o narrador afirma: “todos os cômodos já foram de alguma forma ressignificados. Foram tantas pessoas que passaram aqui que me fizeram ver essa casa como um Quilombo.”

Close em uma mulher negra de expressão séria ou contemplativa, espiando por uma janela branca entreaberta de uma parede azul vibrante.
Documentário destaca a existência de pessoas negras em Sapucaia do Sul, cidade reconhecida como “berço da colonização alemã” - Foto: "A Casa Azul"/Divulgação IEM
Essa metáfora do Quilombo, compreendido como morada e refúgio da população negra durante a época escravocrata, é resgatada para analisar a casa azul como um lugar de acolhimento e resistência. A definição de Quilombo, enquanto “toda a habitação de negros fugidos, que passem de cinco, em parte despovoada, ainda que não tenham ranchos levantados e nem se achem pilões nele”, ganha um novo significado se levarmos em consideração o contexto urbano contemporâneo. O diretor complementa: “É até engraçado pensar que no ‘berço da colonização alemã’ temos um Quilombo.”

A afirmação evidencia a potência da subversão simbólica imposta pelo documentário, que adiciona a narrativa afrodescendente em um território majoritariamente marcado pela memória germânica do estado do Rio Grande do Sul.

Cartaz com fundo bege, traz no topo os dizeres “dirigido por João Chagas”, “documentário sobre história de família” e “uma produção O Inventário”. Ao centro, o título do filme em letras manuscritas: “A Casa Azul”. Abaixo, uma foto antiga mostra uma criança no centro de uma sala, com outras pessoas ao redor substituídas por silhuetas desenhadas à mão. No rodapé, aparecem os créditos do filme, com destaque para Jaqueline da Silva e múltiplas funções assumidas por João Chagas.
"A Casa Azul" é o projeto de estreia do estudante de Produção Audiovisual João Chagas - Foto: "A Casa Azul"/Divulgação IEM

A Casa Azul (Brasil, 2025,15min). Documentário de João Chagas.
Sinopse: O documentário “A Casa Azul” destaca a presença negra em um espaço tradicionalmente associado à colonização europeia, propondo uma inversão simbólica e histórica, construindo identidade, pertencimento e ancestralidade por meio da história da família do diretor. “É até engraçado pensar que no ‘berço da colonização alemã’ temos um quilombo.”

Serviço

Exibição do documentário “A Casa Azul”
Quando: 9 de agosto (sábado), às 19h30
Onde: Auditório Luis Cosme - 4º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736 - Porto Alegre)
Entrada gratuita

Secretaria da Cultura