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DEUS E SUA OBRA NO SUL DA AMÉRICA (2014)

DEUS E SUA OBRA NO SUL DA AMÉRICA
DEUS E SUA OBRA NO SUL DA AMÉRICA - Foto: Lucas Ströher Schultz

Afinal, o que são os direitos humanos e como eles devem ser compreendidos hoje? Para responder a estas questões, essa exposição, em sua perspectiva museológica, procurou historicizar o processo de construção do conceito de direitos humanos, em suas possibilidades e limites, no continente sul-americano – em especial, nos países do Mercosul –, através de uma plataforma artística combinada com uma narrativa histórica. Por meio de uma miríade de modalidades artísticas e documentos – vídeo-instalações, instalações, esculturas, pinturas, gravuras, fotografias e objetos – buscou se demonstrar que a afirmação dos direitos humanos é resultado de um longo e árduo processo histórico. Através da construção de novos registros estéticos e históricos, foi possível elaborar uma genealogia não-linear e não-evolucionista da idéia de direitos humanos em nosso continente.

Deste modo, a elaboração da narrativa da exposição partiu da premissa de que as violações e também a conquista dos direitos humanos são partes de um processo que não se encontra encapsulado no passado ou no presente. Evidenciando o modo como o histórico de violência, que marca a formação de nosso continente, contribuiu para que as violações de direitos fossem uma de suas marcas históricas, procurou-se, igualmente, entender como a luta por reparação e por aquisição de novos direitos auxiliou para que os direitos humanos emergissem como um elemento central para a consolidação da democracia nas sociedades cotemporâneas.

Assim sendo, a exposição trazia uma perspectiva panorâmica da história desse conceito na América do Sul, apresentando o modo como a perspectiva de direitos humanos ampliou-se partindo das reivindicações de liberdades políticas e civis, nos séculos XVIII e XIX, e chegando, no século XX, a uma noção universalista que engloba, também, a garantia de direitos sociais, culturais e identitários.

A intervenção na esfera museológica ocorria em três dimensões: (1) demonstração para o público da importância dos direitos humanos como um elemento estruturante da formação de sociedades livres e democráticas; (2) apresentação dos direitos humanos como fruto de um processo histórico; (3) estabelecimento de uma discussão sobre os direitos humanos no campo museológico por meio de uma relação intercambiável entre as diversas esferas de materialização da memória, como os documentos, os objetos de arte, das obras cinemáticas e outros objetos museográficos de natureza genérica. Por isso, a abordagem por eixos temáticos foi um dos caminhos adotados para dar conta da amplitude e da complexidade do assunto e para estabelecer elementos genealógicos do conceito de direitos humanos em nossa região.

Desta forma, construiu-se um campo de legibilidade acerca do desenvolvimento da idéia de direitos humanos em nosso continente para, dentro disso, abrir espaço para a construção de novos sentidos e sensibilidades sobre o tema. Os eixos estruturantes são: a Escravidão e a Exclusão, o Golpe e a Violência, a Manifestação e a Resistência, a Censura e o Silêncio, o Exílio e a Descoporificação, a Liberdade e a Conquista e a Artisticidade e a Expressão. Eles oferecem uma visão multifacetada da história dos direitos humanos no sul das Américas e permitem entender as mutações no conteúdo do conceito ao longo da história.

Secretaria da Cultura